22/08/2013

Ataque químico na Síria é um mistério para especialistas



Ativistas da oposição na Síria acusam o Exército de ter lançado um ataque com armas químicas nos arredores da capital Damasco.
Vídeos postados pelos opositores do regime de Bashar Al-Assad, cuja autenticidade não pode ser confirmada, mostram imagens chocantes de pessoas sofrendo dos sintomas de possíveis agentes tóxicos: vômitos, dificuldade de respirar, pupilas dilatadas, entre outros.
O Exército sírio negou as alegações, qualificando-as de falsas e totalmente sem fundamento.
A BBC preparou uma lista de perguntas e respostas sobre o último ataque no país, que vive uma guerra civil desde 2011.

O que aconteceu?

Forças do governo bombardearam na manhã de quarta-feira uma área a leste da capital Damasco, tomada pelos rebeldes que tentam tirar Assad do poder.
Grupos da oposição afirmam que durante o ataque foguetes com agentes tóxicos foram lançados contra civis da região de Ghouta.
Eles estimam que mais de mil pessoas morreram, muitas delas mulheres e crianças. As mortes foram registradas nas áreas de Irbin, Duma e Muadhamiya, entre outras, afirmam os ativistas.
O exército sírio nega as acusações, alegando que se tratam de uma "tentativa desesperada de por parte dos rebeldes de encobrir suas derrotas e atrair o apoio midiático".

O que os vídeos mostram?

As imagens, que não foram verificadas de forma independente, mostram adultos supostamente sofrendo os efeitos dos agentes químicos.
Médicos aparecem atendendo pessoas que estão vomitando e não apresentam ferimentos no corpo. Alguns pacientes parecem estar tontos e inconscientes.
Dezenas de corpos, incluindo os de crianças e bebês, são vistos enfileirados no chão de uma clínica.
vítima de ataque é socorrida | Foto: Reuters
Sintomas sugerem uso de armas químicas, afirmam especialistas
Correspondentes acreditam que o número de mortos é muito maior do que em qualquer outro suposto ataque químico na Síria.

O que os sintomas sugerem?

Analistas afirmam que a ausência de ferimentos externos pode ser um sinal de que o ataque tenha sido feito com agentes químicos.
"Alguns sintomas, como boca aberta e olhar parado, são muito semelhantes ao que vimos em Halabja, no Iraque, onde milhares de pessoas foram mortas por agentes nervosos", disse Hamish de Bretton-Gordon, ex-comandante das Forças Britânicas contra terrorismo químico e biológico.
"Outras imagens que mostram pupilas trêmulas e fixas também podem indicar algum tipo de agente químico", acrescenta Bretton-Gordon.
Ainda segundo especialistas, um grande número de pessoas morreu em pouco tempo, o que também sugere a ocorrência de um ataque químico.
"O gás mostarda, que foi usado amplamente na Guerra Irã-Iraque, tende a matar ao longo de dias, em vez de horas e minutos, então por isso isso pode ser um outro tipo de agente" explica Bretton-Gordon.
O professor Alexander Kekule, do Institutos de Microbiologia Médica na Universidade de Halle, na Alemanha, concorda que há indícios de ataque químico, acrescentando que não há sinais de outros tipos de agentes que causam queimaduras da pele.
As vítimas também parecem sofrer de sérias dificuldades de respiração.
Jean Pascal Zanders, analista de armas químicas e biológicas, disse que há "evidências convincentes" de envenenamento por asfixia devido à cor "rosa-azulada" nos rostos dos mortos.

Quais são as maiores questões do momento?

Analistas têm ressalvas a respeito do que as imagens de vídeo realmente mostram e que tipo de armas podem ter sido usadas.
"Por enquanto, não estou completamente convencido porque as pessoas que estão ajudando os pacientes não estão usando roupas de proteção ou respiradores", disse Paula Vanninen, diretora do Verifin, o Instituto Finlandês para Verificação da Convenção das Armas Químicas.
"Em uma situação real, eles também ficariam contaminados e sofrendo dos mesmos sintomas."
Pascal Zanders tem dúvidas sobre alegação de que agentes nervosos tenham sido usados.
"Eu não vi ninguém aplicando antídotos contra agente nervosos", disse ele em um blog. "Nem médicos nem outras pessoas parecem sofrer de exposições secundárias enquanto atendem as vítimas".
O professor Kekule disse ainda que os sintomas não se encaixam no uso típico de armas químicas, já que as vítimas não parecem sentir dor ou irritação nos olhos, nariz e boca.

Os vídeos podem ter sido fabricados?

O ministro da Informação sírio, Imran al-Zu'bi, disse à uma TV no Líbano que as imagens foram fabricadas em uma campanha planejada com antecedência.
Mas analistas da BBC acreditam que a escala do ataque e os detalhes das imagens tornam improvável a possibilidade de que se trate de uma fraude.
O professor Kekule afirma que a hipótese de que os vídeos sejam uma encenação política não pode ser totalmente excluída, mas, neste caso, seria "uma encenação muito bem feita".
Bretton-Gordon opina que seria muito difícil para os conspiradores fazer crianças parecerem mortas por tanto tempo.
Muitos comentaristas concordam que "alguma coisa terrível aconteceu", como afirma Pascal Zanders. No entanto, o que aconteceu exatamente pode ser algo difícil de saber.

Quem seria capaz de fazer um ataque dessas proporções?

O governo sírio admitiu que tem estoques de armas químicas, mas nega que os usaria dentro da Síria.
O ministro da Informação, Imran al-Zu'bi, disse que os ataques da quarta-feira não teriam sido possíveis diante do perigo que representariam para as próprias forças do governo que estavam perto da área supostamente afetada com os agentes químicos.
A Rússia afirmou que há evidências de que o ataque teria sido executado pela própria oposição para minar o governo. Mas os Estados Unidos e a Grã-Bretanha dizem não acreditar que os rebeldes têm acesso a armas químicas.

E por que agora?

Equipes da ONU especializadas em armas químicas chegaram à Síria no domingo para investigar três locais onde agentes químicos foram supostamente usados, incluindo a cidade de Khan al-Assal, no norte, onde 26 pessoas morreram em março.
Correspondentes da BBC acham difícil acreditar que o governo sírio, que recentemente recuperou terrenos dominados pelos rebeldes, fizesse um ataque com armas químicas enquanto inspetores estiverem no país.
No entanto, um ataque da forças rebeldes em uma área dominada por eles também parece improvável para muitos observadores.

Como as alegações podem ser verificadas?

Estados Unidos, Grã-Bretanha e França estão entre os países que defendem o acesso dos inspetores da ONU às áreas afetadas para determinar se armas químicas foram usadas no ataque.
O Conselho de Segurança ONU fez uma reunião de emergência na quarta-feira para discutir a situação no país. Uma porta-voz disse após a reunião que havia uma sensação geral de que as circunstâncias do que aconteceu devem ser esclarecidas, mas não informou se a missão da ONU poderia ser estendida.
Por enquanto eles só têm permissão das autoridades sírias para investigar três lugares específicos, que não incluem a área do suposto ataque químico na quarta-feira.

Polícia alemã investiga invasão de homem seminu a avião de Merkel


Autoridades alemãs estão investigando como um homem conseguiu passar quatro horas no jato militar usado pela chanceler Angela Merkel fazendo uma festa privada e vestindo apenas cuecas.
O homem, de 24 anos e conhecido apenas como Volkan T, entrou na cabine, apertou botões, abriu o escorregador de emergência, e disparou um extintor de incêndio por todo o interior do avião.
Com um megafone, a polícia tentou e não conseguiu convencer o homem a sair da aeronave.
Os policiais encontraram uma sacola com seus documentos de identidade e, supostamente, ecstasy e maconha, perto da aeronave.
O incidente, que aconteceu no aeroporto de Colônia no dia 25 de julho, só foi resolvido quando um cão policial mordeu a perna do homem. Ele foi levado à uma instituição psiquiátrica.
Volkan T, um fisiculturista alemão, não tinha passagem pela polícia.

"Falhas de segurança"

O jornal alemão Welt am Sonnat viu registros policiais vazados do incidente, e afirma que os documentos mostram "falhas de segurança" e "erros" da Força Aérea.
O incidente teve início quando o morador local, supostamente carregando sua sacola de drogas e enfrentando problemas de relacionamento, seguiu em direção à parte militar do aeroporto de Colônia-Bona.
Ele passou pelo portão dizendo que estava planejando um casamento no refeitório dos oficiais e que precisa olhar o prédio novamente.
De lá, ele foi capaz de passar por cima de uma cerca de arame farpado para o aeródromo militar, sem ser detectado pelas câmeras de segurança.
Quando viu o avião do governo, uma das duas aeronaves Airbus A319 mantidas pelo exército alemão para uso dos políticos de alto escalão, Volkan T subiu numa asa, e começou a dançar de cueca.
De lá, ele conseguiu abrir uma porta de emergência e entrou no avião.
A porta para a cabine do piloto estava aberta. Ele entrou "apertou botões de forma aleatória", e eventualmente ativou o alarme.

Estragos

Segundo o jornal Welt am Sonntag, o avião estava com o tanque de combustível cheio, e poderia ter sido levado até Pequim, caso o intruso tivesse o conhecimento necessário para pilotar a aeronave.
Mais três horas foram necessárias para garantir a segurança do jato. Estima-se que o homem causou danos no valor de 100 mil euros (R$ 327 mil).
A aeronave, utilizada pela chanceler Angela Merkel para viagens oficiais, é equipada com um escritório particular com dois assentos e um sofá, uma saleta para conferências e mais 32 lugares para as delegações.
O avião já foi reparado e agora está de volta ao serviço.
Merkel estava a quilômetros de distância no momento do incidente, desfrutando de uma performance de "The Flying Dutchman" (O Holandês Voador) no Festival de Bayreuth, na Baviera.

Jovem tem condição dermatológica rara que a impede de fechar os olhos ou crescer cabelo



Hunter Steinitz, 18 anos, tem uma condição genética rara chamada de ictiose arlequim, cuja característica principal é o engrossamento da pele. Por conta disso, ela tem manchas secas em todo o corpo, e muitas pessoas pensam que ela é uma vítima de queimaduras.
A condição também significa que ela não é capaz de fechar os olhos, além de ter que usar uma peruca, porque seus folículos pilosos são bloqueados por pele. Mais gravemente, Hunter vive em constante perigo de desidratação, porque não pode suar. Por fim, seus movimentos também são limitados pela pele grossa, que a impede de flexionar os dedos.
 No passado, muitos pacientes com ictiose arlequim não sobreviviam ao primeiro ano de vida, porque a falta de gorduras vitais na pele não as protegia contra bactérias e contaminantes. Hoje, a medicina ajuda os pacientes a gerirem melhor a condição, de forma que Hunter pode viver por mais tempo.








“Minha pele não contém a umidade e gordura que todos têm entre suas células da pele, como a argamassa entre tijolos das casas”, explica Hunter, de Pittsburgh, nos Estados Unidos. “Tudo o que tenho são os tijolos”.
Com o conselho dos médicos, Hunter começa cada dia com uma sessão de beleza muito longa. Ela toma um banho às vezes com duração de duas horas, dando tanta umidade quando possível para sua pele. Em seguida, ela aplica uma variedade de loções e óleos, que ela esfrega gentilmente para bloquear a umidade, reaplicando-a durante o dia.
“Minha vida tem sido muito difícil”, conta. “As aulas de educação física eram as piores. Você é forçado a estar em contato físico com o outro, e as pessoas odiavam que eu as tocasse. Muitas vezes os professores não faziam nada, porque não sabiam como reagir”.
Para parar o bullying, Hunter muitas vezes teve que agir por conta própria. “Eu ia para cada sala de aula no prédio e dizia: ‘Ei, sou a Hunter, eu tenho essa condição, você não pode pegá-la, ela não é contagiosa’”, afirma a garota.

Seu pai, Mark, 58, um funcionário de restaurante, e sua mãe Patti, que morreu de câncer há dois anos, a incentivaram a se defender. Patti dizia que era seu trabalho educar as pessoas, já Mark a pedia para viver um dia de cada vez, que as pessoas ao seu redor ficariam mais velhas e entenderiam.
Finalmente, Hunter começou a amar o seu corpo, percebendo que ele a torna única e a ajuda a ser mais forte. “Eu percebi que eu seria uma pessoa totalmente diferente sem ele”, disse. “Minha família seriam pessoas diferentes. Eu não teria os mesmos amigos – os realmente especiais que me ajudaram a passar por tudo. Devo tudo sobre a minha vida para a doença”.

Hunter ingressará em uma universidade em setembro e está se tornando uma porta-voz das pessoas com a mesma condição. Ela já começou a dar palestras motivacionais em faculdades e escolas, junto com a fundação FIRST.
“Uma das coisas mais difíceis de viver com ictiose é a reação das pessoas. A condição nos dá uma aparência chocante e as pessoas não sabem o que fazer. Nós estamos tentando ensiná-las que elas não podem pegar a doença, não somos contagiosos. É normal ser diferente, não se encaixar na norma”, fala.